HITLER ÀS AVESSAS – profanas profecias do lado B

Ponteiros não giram rapidamente ao amanhecer
Oito e meia da matina é cedo pacas
Levantar antes da hora deixa a pessoa abobalhada
Pela manhã tenho o olhar perdido
Meu aspecto é de um morto vivo
Não quero labutar
Nem fazer parte da elite
Só roubar e matar
Observo a natureza desumana
Ontem vi um animal ensinando o filhote a caçar
O animal era um mendigo
O filhote era um menor
A caça era o lixo
O bairro era o Leblon
O verdadeiro, não o do Manoel Carlos.
É!
A verdadeira essência está ausente
Não habitamos um mundo justo
Não é fácil ser vagabundo
A desgraça alheia sustenta a existência de poucos
Adoro andar à noite no calçadão da Delfim Moreira
Olhar pros apartamentos dos milionários
Vê-los assistindo a suas telas de plasma de infinitas polegadas
Sabe o que eles veem
Novela
É Fantástico
Definitivamente o dinheiro não escolhe cultura pra ninguém
Morte à High Society!
Miséria e ódio são meus alimentos
Sou um ladrão sem escrúpulos
Durante os assaltos gosto de torturar ricaços
Estrangular a felicidade deles
Minha glória é fatiar grã-finos
Faço banquetes sem precedentes para indigentes
A imagem dos miseráveis antropófagos famintos por seus algozes me conforta
Corações alheios à verdade exalam aversão
Nas minhas veias corre vinho
Libertar-me-ei completamente
Não das drogas
E sim dos filhos do dinheiro
Eu sou hediondo
Estamos todos condenados ao fracasso da alma
A morte sempre vence
Sim
Eu não sou pobre
Tenho um trabalho frontispício onde ganho um bom dinheiro
Sim
Eu não sou feio
Sou um belo espécime de macho
Mas minha índole é feita de preguiça e maldade
Detesto todas as profissões
Não preciso submeter-me ao batismo social
A moral é a fraqueza do pensamento
Sofismas da loucura
Prefiro ser da raça inferior
Proclamo o lado B
Os criminosos me enobrecem
Os presídios me encantam
Quanto mais perverso melhor
Minha mente é feita de profanas profecias
Sou um pagão à deriva
Não há família abastada no Leblon que não mereça minha ira
A riqueza nunca foi um bem público
Horroriza-me a pátria amada
A mãe gentil não deveria abandonar seus rebentos
Não tenho saudades do meu berço esplêndido
Nunca mais trabalharei
Nas cidades o espectro negro subsiste nas favelas
Jamais pertenci ao burgo do asfalto
Criaturas nefastas
A natureza humana é um obstáculo perverso
Só velhos mendigos mutilados são respeitáveis
A condenação é eterna
O inferno é aqui
Sem piedade
O fardo está posto
Somos náufragos sociais
Condenados à farsa contínua
Não há almas honestas
Tudo é vaidade
Todos seres são fatais
Vivemos na degradação
A megera da foice está entre nós
Dilacerante infortúnio
Eu darei o troco
Imitarei a farsa do Bush
Sequestrarei um avião
De preferência um voo Rio-Paris
E cabul!
Vou estuporá-lo contra os prédios da Delfim Moreira
Morrerei em paz
Serei lembrado como o Hitler às avessas

**********
Sentado confortavelmente em seu apartamento, na Vieira Souto, o psicólogo Gustini Victor Strasser desligou o gravador e sorriu.

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

PUTRICINHAS - la virtu della Santa Famiglia

Assumi meu vício
Não meu emprego
Nunca vou confessar
Era viciado em fuder
Sexo traduzido em relacionamentos
Córneos trocados com gostosas mimadas
Sentimentos confusos pós-luxúria
Intensidade e lubricidade constantes
Paudurescencia com perfume de bucescencias diárias
Éramos mutuamente doentes
Eu era o cara
Resolvi mudar
Revi valores e reinventei
Relacionamentos sadios a base de mulheres do bem
La virtu della Santa Famiglia
Transar pouco por menos dor de cabeça
Maximus error vitae
Sei por causa de cagada monstra
Mulher doce do bem de família faz também
Premeditadamente
Sem culpa ou arrependimento
Com intenção de ferir
Essa era pra casar
Só com muito tiro na testa
Não fosse isso
Requintes de crueldades
Viveria o resto da vida fingindo ser o que não sou
Depois de muitos anos de estrada
À convicção
Não as concessões
Valem mais as viciada em sexo e seus problemas que as fadadas boas moças
As que vêm em função trepar de todas as formas são as melhores
Sem frescurinhas
Mas não
Erroneamente engoli essa baboseira moral sobre a invenção do certo
O conceito familiar
Erros no pensar a vida têm ponto de partida em falsas explicações
Analises errôneas são impostas
Ideias correntes
Recorrentes éticas de religião e civilidade
Inventaram uma falsa consideração humana
Vivemos essa farsa de sofrimento e culpa
Aprisionados por conceitos religiosos
Pros que acreditam nessas babaquices eu digo na lata
Ofensivo é a Bíblia
A Bíblia é o injurioso livro
Infiéis sendo assassinados
Trabalhadores aos sábados sendo apedrejados
La Sacra Bibbia vende filhas como escravas
La Sacra Bibbia tem ficha criminal
La Sacra Bibbia faz de bucha os profissionais do artifício de matar
Posso incitar genocídios bíblicos

Em Deuteronômio 13

“Se você souber de uma cidade onde se louva a outro Deus, você deve matar cada um naquela cidade: homens, mulheres, bebês e até os animais. depois queimar tudo.”

Essa doutrina não me representa
Religião é a arma nas mãos dos opressores
Fodam-se as boazinhas fiéis do senhor
Fode-se a porra toda
Só respeito às infiéis que trepam muito
Não aceito as que não fodem
Essas merecem a morte
Tem a puta e a filha da puta
Eu gosto da puta
A puta chupa pau até o talo
A filha da puta não
Passei os últimos anos fodendo pouco e mal com a filha da puta da minha mulher
A onda dela era se fazer de boa moça pra me apunhalar de olhos abertos
Gostava de me tirar de otário
O máximo da merda humana
Ser negado por minha mulher era a rotina do casamento
Porra nenhuma!
Ser negado sexualmente por mulher não é normal
Eu tenho passado e memória
Antes dela passei minha vida trocando sexo com as putricinhas
Barganhávamos muitos chifres
Mas não deixávamos de trepar
Nossas infidelidades não esfregavam casinhos na cara um do outro
Não havia intenção de ferir
Tínhamos tesão pra dar e vender
Não existia ódio
Escapulidas eram reflexos de sexualidades compulsivas
Não falta de paixão
Foi mulher do bem e de família e que não dava que trouxe um cara pro quintal de casa
Em flagrante disse eu merecer, rindo.
Daquelas que vivem vendo novela e JN e baseiam suas vidas nos dogmas reproduzidos por esses meios
Num fode
Essa não fodia e também traia
Mulher de família
Sei...
Deixo pra vocês
Essas recalcadas, infelizes e frustradas são capazes das piores maldades.
Leblonetes passeando com seus xitsus de laços de fita não falam ao pau
Mulher fresquinha que chupa pau com nojinho não dá
Nascemos todos de uma foda e vivemos pra fuder
Se não for é a morte em vida
Deixemos as boas moças na igreja
Fiquemos com as trepadeiras
O mundo gira
A lua se põe e o sol nasce
Marés sobem e descem
Foi aí que o destino misturou minha profissão e meu pessoal
Recebi um telefonema de uma cliente
Ela queria uma faxina completa
Barba, cabelo e bigode.
Precisava dos meus serviços
Seu marido estava comendo outra
A amante deveria ser exterminada
Não sem antes eu receber o extra por meus serviços
Não estou falando do dinheiro
Só recebo depois do desaparecimento da vitima
Ganho muito bem
Mas quando a contratante é gostosa eu cobro um adicional
Quem já me contratou sabe
Pra ter o melhor precisamos dar o melhor
La fui eu despejar meu leite na cliente
Mulheres traídas são demais
Dei o trato merecido
Depois da alcova ela mostrou-me a vitima
Sensacional
Sim, minha mulher era a amante do seu marido.
Alucinante
A vida é imprevisível
Ela perguntou se eu teria problema em fazer o trabalho
Respondi que não daria desconto por causa disso
Sai rindo e feliz
Fui de encontro à execução
Toquei o interfone e falei:

- Eu vou te matar

Ela abriu a porta
Deve ter pensado que era frase de macho ferido
De homem traído
Querendo ver minha derrota
Tadinha
Entrei no apartamento e dei-lhe um soco na cara
Ela caiu desmaiada
Botei-a em meu colo e quebrei seu pescoço
Abri minha maleta
Adoro minha machadinha
Faz picadinho
Depois de esquartejar o corpinho que eu não gozava, fui mijar.
Dentro daquele banheiro limpinho lavei minhas mãos
Sem coração
Matar minha mulher foi uma dádiva
O mal da santinha foi achar que todo mundo era otário
Falar dos outros é fácil
Quero ver ser diferente
Mas a vida pune
A natureza marca
E a lei do eterno retorno é infalível
Eu ganhei dinheiro pra fazer e faria de graça
Estou de alma lavada
Sigo o meu caminho
Morte as filhas da puta
Vida longa as vadias mimadas
Sorte as compulsivas por esculachos
Só as viciadas em sexo merecem viver
A mulher escolhe como vai ser reverenciada
Ela pode ser a trepada
Ou ser lembrada porque fazia um feijão gostoso
Um brownie maneiro
Passava aspirador em casa
Lavava uma louça
Fazia a cama
Essas merdas
Meu desprezo aos restos
Meu mantra agora é outro
Quem reclama muito e não fode se fode
Mulheres que não fodem merecem a machadinha

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

TRESOITÃO DE NOVE TIROS

Universiotários de festas raves
Estudantes semianalfas
Imbecis de carteirinha
Eles são religiosos
Espúrios obscuros
Não falam nada
Filhos únicos da bisa
Vovós beatas children
Vão se fuder
Religião é uma bosta
Só Jesus condena!
Católicos têm que morrer
Crentes de bíblias em riste fazem jus ao extermínio
Cadáveres insepultos
Múmias paralíticas
Restos mortais ambulantes
O fim do mundo está perto
A humanidade é perversa
É tudo a mesma merda
O que ficou pra trás foi enterrado
Eu alugo um quarto ao lado da Igreja Universal
Prefiro Satanás
Vou explodir
Vai tudo pelos ares
Vou explicar
Quando faço um assalto sou mais honesto que os playbas das igrejas de Deus
Meu torpor é assassino
Sou um Exu Caveira exorcizando
Um fanático intolerante
Um maníaco preconceituoso
Você vai morrer
Acabou
Cristo de cu é rola
Eu matei Deus!
Nietzsche é o caralho
Chora Bebel
Nunca fui fresco e mimado
Gosto de caminhar a esmo
Andando às escuras
Desassossegado
Só na maldade
Vagabundas de sainhas-pede-pica conhecem meu tresoitão
E ele é bonito
Não são seis
Nem sete
Nem oito
São nove tiros que geral vai assumir
Mandei fazer um tresoitão de nove balas
Meu tambor tem nove furos
Sou um justiceiro
Dou tiro na cara
Beatos
Playbas
Piranhas
Católicos
Ricos
Pobres
Todos acabam com a caveira perfurada
Vaticínio infausto
As sombras permanecem
Novelas e cultos religiosos dão no mesmo
Comprei um machado
Vou destruir restaurantes que me obrigam a ver programas de auditório, e construir um liquidificador.
Um liquidificador humano!
Vai ser bíblico!
Corpos vão triturar até virar batida de sangue com carne moída
O néctar dos Deuses
Eu vou beber
Saborear
Isso é sagrado!
Não vou perdoar ninguém
Hipócritas
Conformistas
Mentirosos
E todo o mais vão pro inferno!
Só respeito as rampeiras dos puteiros de beira de estrada
Sempre pago pra bater muito nelas
Sou furioso e barulhento
Bater em puta me purifica
Sou um filme de terror
Sua hora vai chegar!

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

O ASSASSINO DO BAR DO ESCRITOR – todos querem as vadias do Bar

Sentados no Bar do Escritor conversávamos bebendo muito:

– Pede outra Glauber.
– Porra Zulmar, o Intragável adestrou mais uma, ela tava se exibindo igual uma foca aqui ontem, dizendo pra todo mundo que é a nova puta dele.
– Quem?
– Uma tal de Bauh de Bouquet.
– Mas ele não tava comendo a Rare Mouth Garbuio?
– Pois é! Uma tem foto de boca, a outra tem nome, fato é que o Treuffar tá passando a pica em geral, essas Marias Teclados fazem tudo pra serem as queridinhas do Bar.
– Relaxa Glauber, esse merda me liga todo dia de manhã, se não me engano tinha me dito que essa tal de Bauh de Bouquet é o Benitez ou o Wandyko.
– Quem é Wandyko?
– O Wandyr, porra!
– Não é! O Wandyr é um cara maneiro, parceiro total e o Benitez é fake, mas é do bem, agora o Intragável não passa de um oportunista se aproveitando da ausência do Iemini pra comer geral com esse papinho de Moderador, de Deus do Bar, e convenhamos, ele escreve mal pra caralho!
– Hahaha… E ainda tem a Denise que fica babando o ovo dele em comentários do tipo “o Sr. Treuffar Dominador é o máximo” e tal e coisa, e cosa e tal, fora a gostosa da Pat e uma Sonia que aparece de vez em quando por aqui.
– Porra… Elas ficam se bajulando entre si, sem ciúmes ou concorrência, esse puto é um agregador de bucetas, parece que elas ficam todas se pegando com ele, apareceu outra agora, tal de Jéssica, chegou postando uma comparação entre ele e o Rubem Fonseca, vê se pode uma porra dessa!?
– Aí é demais…
– Temos que dar um fim nisso.
– E seu eu falar com ele, o Pablo é liberal, podemos fazer uma suruba com essas putas todas, a Rare Mouth é uma gostosa, escreve um monte de sacanagens, se bem que ela sempre mata no final, não importa, ela foi eleita a musa do Bar, junto com a Jane, é bom lembrar… Ahhh… A Jane… E essa tal de Bauh de Bouquet é gostosa?
– Ele comeu a Jane também?
– Não, a Jane não, porra! Pelo menos ela não fica aqui no Bar se mostrando pra ele, quase não aparece por aqui.
– Não quero saber! Eu quero acabar com essa porra!
– Acho que essas mulheres são fakes de autopromoção, por isso ele fica me ligando de manhã, pra me confundir.
– Porra Zuza, conhecemos a Jane.
– Será que somos todos fakes? O Pablo veio com um papo de Walyse de True Faux, disse que é o fake detetive dele.
– Para de Beber Zuza! Que merda é essa? Quem é Walyse de True Faux?
– Ahhh… Você não sabe!? O fake do Pablo!
– E fake bebe?
– O meu bebia tanto que o matei! Por quê?
– Olha aquela mesa ali.
– Qual?
– Porra, Zuza, lá no canto.
– Caralho, não tô acreditando, são a Rare Mouth, a Denise, a Pat, a Sonia e a Jéssica, figurinhas carimbadas aqui do Bar, só maravilhosa! Mas quem é aquela no colo dele?
– Deve ser a tal de Bauh… Como é que é mesmo?
– Bauh de Bouquet… Cara, a Rare Mouth tá beijando a Pat e a Denise, vamos sentar lá com elas, essa Bauh também é uma gata, vamos lá, falamos um pouco de literatura e depois piroca nelas.
– De jeito nenhum, o Intragável é insuportável, tá se achando o caçador, mas tem que tomar cuidado pra não virar caça.
– Mas ele tá chamando a gente, tá acenando pra cá.
– Não!!!
– Mas elas são bárbaras, tem jeito de devoradoras de homens e tão todas se querendo pra gente.
– Zuza, presta atenção, a casa caiu, sua mulher tá querendo invadir o Bar, já mandei a Jane abrir o olho.
– O que tem a Jane?
– Porra limão, todo mundo sabe que você come a Jane desde os tempos do Orkut, então fica de boa e me ouve.
– Hein!?!?
– Sua mulher, mané! Ela tá sentindo o cheiro das cadelas do Bar, ou você acha que ela não desconfia do por que você passa mais tempo aqui do que em casa com ela.
– Tá foda hein… Quer me foder me beija… Enquanto isso o Intragável tá ali se esfregando com essas putas todas, bem na nossa frente, preciso beber mais pra te aturar.
– É verdade, o filho da puta tá bem ali no bem bom. Porque você não o mata?
– Eu?
– É, manda bala, ai sobra umas buças pra gente.
– Mas ele compartilha, o intragável é suingueiro, pra que matar, eu não quero me foder, eu quero foder.
– Paga outra cerveja e vamos finalizar esse oportunista.
– Porra Glauber, paga uma.
– Continua me ouvindo…
– Não tô te entendendo…
– Esses seus olhos de ressaca são sua maldição, devia te dar um tiro.
– Sai de mim, guarda sua raiva, mais amor no coração irmão.
– Fica na tua… Se eu visse um olhar desmaquiado, troncho, esquisito, assim, tipo o seu, por aí, e o corpo fosse material consumível, saberia ali estar a minha próxima refeição.
– Tu não tá falando coisa com coisa parceiro, para de beber, acho que tu tá comprando crack dos seus detentos.
– Tu é fraco Zulmar, não tem filosofia no seu ser.
– Guarda a filosofia pra você, me finjo de intelectual só pra comer o cu das almas bêbadas.
– Já volto Zuza.

****************

- “Deveras, a parada é essa, ele levantou e disparou três tiros, o Treuffar caiu morto, Glauber foi preso, quem diria, de carcereiro a encarcerado, enfim, eu continuo comendo a Jane no sapatinho e frequentando o Bar na surdina das madrugadas com minha cara de limão, mas a novidade é que o Iemini voltou ao Bar e tá comendo todas de novo.”

- “Zulmar, bora matar o Iemini também!”

FIM

Pablo Treuffar
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O ASSASSINO DO BAR DO ESCRITOR de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

DEUSAPSYCHOLOUCA

Não foi difícil descobrir
Meu namorado me traía
Sempre soube dos seus fetiches por sadomasoquismo
Fácil imaginar quantas escravas tinha
Estava escrito na testa dele
Tantas vezes chorei, cansei!
Comprei um celular e criei um perfil falso
Adicionei-o no Facebook e daí pro whatsapp
Sexual Slave
Homens são burros, fáceis de manipular.
Quando temos um papo gostoso sobre sexo e criamos a persona perfeita, precisamos de menos de uma hora pra saber os podres.
Ele contou pra personagem submissa
O filho da puta só mentia pra mim
Vangloriando-se, assumiu.
Disse ter uma namorada linda, e que a amava.
Mas era compulsivo sexual
Contou da professora da academia e da sua amiga, que as comia juntas.
Disse ser frequentador de casas de swing
Seu maior vício
Adorava escravizar mulheres casadas na frente dos maridos
Segurei a vontade de estrangulá-lo
No final da conversa, ele estava desconfiado.
À noite fomos jantar
Ficamos naquela guerra fria
Eu fingindo não saber
Ele muito cabreiro
Voltamos pra casa dele e trepamos como sempre
Era a única coisa que fazíamos perfeitamente
Uma semana passou, não aguentei…
Na minha casa, vomitei toda sua verdade mentida.
Não teve como negar
Chorou
Ajoelhou
Humilhou-se
Confesso que senti repulsa ao vê-lo tão submisso
Implorou
Eu disse que só ficaria com uma condição
Teria que me levar numa casa de swing
Concordou
A princípio, pensei estar me testando, seguro de que eu nada faria.
Chegaram o dia e a hora
Arrumei-me lindamente
Sou loura e alta
Fiquei um escândalo
Quando me encontrou, disse-me estar linda.
Fiquei esperando seu desespero
Nada!
Pegamos um táxi
Não se deu por vencido
Entramos na casa de swing
Não fraquejou
Mas ele viu… ahhh… se viu…
Ajoelhei
Todos me olharam
Eu, a mulher mais gostosa da casa, pedindo pra chupar seu pau, na frente de todo mundo.
O filho da puta riu
Então gritei:

- Todos podem botar o pau pra fora, vou chupar geral.

Nessa hora, tive certeza, ele ia dar um show, proibir, meter-se na frente de quem se atrevesse a me tocar.
Não!
O sacana falou, rindo:

- Podem vir, ela engole até o talo.

Com muita raiva, chupei e dei pra todos, contei um a um, olhando pra ele.
Sua máscara de fodão deveria cair por terra, a qualquer momento.
Na verdade, eu estava contando o tempo pra irmos embora.
Ele iria debulhar-se em prantos
Não aconteceu!
Em casa, comentou meu desempenho descarado com uma ereção alucinada.
Fodeu-me a alma, lavada de sujeiras, me fazendo gozar sem parar.
Depois, exaustos, disse-me, agora faremos tudo na frente um do outro, eu ia pirar chupando bucetinhas.
Eu não tinha o que improvisar
Queria fazê-lo sofrer
Mulher nenhuma aceita seu homem tão pacífico e seguro
Eu precisava levar um tapa na cara, como castigo.
Ser chamada de vadia num sentido não sexual
Mas ele venceu
Não!
Depois que dormiu, sangrou.
Comi seu pau assado na lareira a nos iluminar
Morreu vendo sua pica em minha boca, pela última vez.
Num romantismo insano, pensei:

“Não o dividirei com mais ninguém, o tenho dentro de mim, pra sempre…”

Não me arrependo
Sou do tipo que corta picas
Sou uma musa-ninfa-deusa-psycho-louca
Eu sou Carol!

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

ROLA É MEIA CURA DO MUNDO

Ter tomado porrada foi a prova inequívoca do meu sucesso
Ninguém contrata um cara pra espancar outro sem ter sido atingido
Sem estar muito possesso
E nada deixa alguém mais possesso do que a verdade estampada diante dos olhos
Minhas palavras foram setas certeiras nos ouvidos da gorda
Dizeres nocauteiam mais que chute na cara
Ter apanhado foi o retrato do meu sucesso frente ao fracasso do gordo ser

- Porque você sabe, né?

Toda gorda vive de migalha
A gorda é um pombo que vive ciscando
De tanto ciscar vira uma espécie de galinha gigante
Um desenho animado
O problema da gorda é ter sentimento
Gorda não pode ficar ofendida
É como blusa em prateleira de loja, não fala, espera ser escolhida.
Mandada pro espaço viraria satélite de Plutão
Tem massa suficiente para gerar gravidade
São Jorge foi morar na lua fugindo de uma gorda modelo hipopótamo
Azar o meu de topar com o Panzer
Bow! Bow! Bow!
Ipanema tremia a cada passo seu
Um dinossauro ressurgido dos filmes
O Godzilla com um saquinho de pão na mão veio em minha direção
Não aguentei
Virei pra ela e disparei:

- Cadê o Godzuki?

Ela fez um escândalo
Falei muitas verdades
Daí o episódio da porrada, o tio dela é policial.
Enfiou-me porrada em nome da sobrinha balofa
Sobrinha, esse era o único diminutivo que cabia na vida daquela gorda escrota
Foda-se
O titio dela é policial
Eu sou técnico de futebol
No meu banco de reserva tem sempre um veado e uma gorda
O veado serve pra não comer a mulher que a gente tá afim

- E a gorda, serve pra quê?

Pra chupar nosso pau depois que a mulher que o veado negou não quiser dar pra gente
Aprendemos no primário
Gorda é a cinderela às avessas
Baleias bípedes têm duas horas de existência
Entre quatro e seis da manhã
Olhos só enxergam gordas como seres comíveis depois das quatro da madruga
Regados a muito álcool e cocaína, é claro!
Depois que o sol nasce não podemos estar ao lado de uma gorda
Elas voltam ao seu estado permanente
Sacos de merda podre

- Saca areia movediça?

Pois é, te engole.
Verbo que gorda entende é esse, engolir.
A gorda tem a xereca na boca
Ela chupa pau como quem dá a boceta, e pelo amor de deus, sempre vestida.
Duas regras primordiais no trato com as gordas
É proibido as gordas tirarem a roupa
É proibido dormir com as gordas
Dito isso
Naquele dia eu tinha que mexer no time
Estava perdendo
O jogo tava no segundo tempo
Bastava um empatezinho pra não ir pra zona
Virei pro meu assistente pirutécnico e dei a ordem:

- Bota à gorda no aquecimento, hoje ela vai mamar.

Eram quatro e meia da madruga
E como já concordamos, a essa hora podemos com gordas.
A bolofa baranga mora no meu prédio, é minha vizinha.
Ela fica na janela esperando meu retorno
Rezando pelo meu insucesso
Minha desgraça é sua glória
Meu infortúnio
Volto pra casa totalmente derrotado
Mas a gorda sempre deixa eu fazer um golzinho aos 44 do segundo tempo
Ela abre a boca e aí meu amigo, gol feio não existe.
Feio é não fazer gol
Gol de canela também vale três pontos
Quando uma gorda abre a boca temos duas opções, ir embora ou meter a pica.
Ir embora é bem mais sensato
Sensatez nunca foi o meu forte
Se a balofa me ouvisse
Mas não
O azar dela foi não crer em minhas profecias
Eu falei pra aquela filha da puta não aparecer de batom
Minha ideia pra ela era curta e grossa
Botar o pau pra fora
Dar-lhe uns três tapas na cara
Gozar e ir dormir
Como sempre, a derrota que não se justifica.
Mas não, ela tinha que aparecer de batom.
Um hipopótamo maquiado
Eu não sou dado a animais
Tenho uma máxima a qual levo muito a sério: “rola é meia cura do mundo”
Mas como curar um hipopótamo de batom?
Usei o meu revólver
Dei seis tiros na cara da gorda
Depois disso nunca mais precisei lavar sorrateiramente o pau sujo de batom na pia antes de dormir com minha linda e amada mulher

Pablo Treuffar / Leandro Gama
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

PUTADETERNUM - a digníssima do Valqueire

O fato não é
Nem permanece
Pensamentos sobre episódios são o que há
Aforismos abstratos
Futuro e passado não contém eventos
Realidade é ilusão fora do presente
Lembranças são montagens de memórias
Devaneios comandados pelo individual
Não vendo e não escutando, não aconteceu.
Não procurem sarna pra se coçar
Confiança é parceira da omissão
Matrimônios duram um ano
Penso logo existo
Elogiosas bronhas pra todas
Maior galanteio não há
As outras
Meu casamento atual acabou emendando noutro
Ser visto por sua mulher olhando bunda feia na rua é o fim
Olhar bunda na rua não é feio
Feio é olhar bunda feia e ser pego em flagrante
Imaginar-se traída com barangas anula o amor mulheril
Desejar mulher feia é proibido, mas sou anarquista.
Outro pé na bunda por causa das bundas
Outro casamento convertido em amantes
Ex-mulheres no papel da outra são intensamente depravadas
Não são capítulos de namorar
Solteiro não funciona
Elas querem o lado B
Botar chifres na filha da puta da esposa
Casado eu não perco o ímpeto vocacional feminil da promiscuidade vil
Tô morando com minha quarta ex-mulher
Temos uma filha e resolvemos tentar
Mulher/Amante/Mulher
Confusão da porra
Elas viajaram e levaram o Totó
Minha casa sem mulher, filha e cachorro, parece um museu.
Um silêncio total
Não um silêncio qualquer
Um silêncio perturbador
Um silêncio tão alto que é impossível deixar de ouvir tanta ausência de som
Liguei pras primas e dei uma festa
Não sou afeito a museus
Uma das putas chamava-se Jennyfher Valqueire
A piranha deixou-me embucetado
Comer vagabunda da Vila Valqueire é um erro geográfico abissal
Moro em Ipanema e a cachorra não é local
Difícil
Não consigo terminar relacionamentos
Eu agrego mulheres
Sou apegado
Não me satisfaço comendo minhas oito ex-mulheres
Com frequência
Somando vagabundas
Colecionando amantes
Tomo Viagra duas vezes por dia
Eu tenho cinquenta anos
Vou ter uma overdose
Coquetéis de bucetas com Viagras e Ecstasys matam mais que cocaína
Vim parar em frente ao gabinete do juiz
Depois da festinha lá em casa eu viciei na Jennyfher
Garota Centauros durante o dia
Mãe casada durante a noite
Puta devassa da Rua Caning
Mulher de família virtuosa da Vila Valqueire
Quem não perderia a linha no cardápio requintado das perversidades sexuais
Paguei paixão pra vagabunda
A esposa do sargento Bráulio da Vila
Tudo é o que não deve ser
O sobrenome do sargento é Pequeno Cornélio
Sargento Bráulio Pequeno Cornélio
Eu achava que era embuste da digníssima do Valqueire
A vida é engraçada
A moeda gira no alto
Quando otário vira machão é uma merda
Aí é matar ou morrer
Imaginem o sargento Bráulio descobrindo a verdade da mulher
Legítimas fotos num envelope causando desorientação de pensamentos
Depois de infinitos minutos olhando incrédulo, o sargento Bráulio tinha uma nova mulher.
O marido que governa o destino da família não pode fraquejar
É fadigoso pro grande homem ascendente conviver com safadezas
O chefe da moral e dos bons costumes não pôde aceitar
Jennyfher Valqueire foi degolada e sua cabeça fincada na grade da Praça Saiqui
Foto da capa do jornal O Povo
Bráulio Pequeno Cornélio foi condenado a doze anos de prisão pela morte de Edisleia Souza Capixaba
Sim, eram os nomes nas carteiras de identidade.
O argumento da acusação foi de crime planejado
Muitos acompanharam a estória
Todos livres pra dizer e escrever o que pensam
Sargento Bráulio foi perdoado por ser bom pai nos programas de televisão
Jennyfher Valqueire foi condenada várias vezes
Sentenciada à morte e executada pelo Cornélio
Bombardeada impiedosamente pela opinião pública
Puta ad aeternum
Democracia do só rindo
Eu soube da morte de forma ruim
Fui intimado a prestar esclarecimentos do meu envolvimento com Edisleia Souza Capixaba
Por isso estou na frente do gabinete do juiz esperando ser chamado
Quando eu for perguntado, responderei:

- Sou defensor das injustiças sexuais existentes no pensamento moral! As putas me amam! Os conservadores querem minha morte!

Nada do que foi será
Ajuízo a meu favor
Tenho mulheres pra cuidar
O fato não é e nem permanece
Como uma fênix, Jennyfher Valqueire renascerá em minhas punhetas.
Eu vou trucidar o Bráulio!

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

EPÍTETOS - rosas exalam almas roubadas

Na porta do meu consultório a placa dava as boas vindas
Dr. Gustini Victor Strasser - Psicólogo
Em 1997 eu lecionava psicologia na PUC
De lá pra cá as coisas mudaram
Saí do mundo acadêmico
O destino sentenciou-me
Resolvi prestar serviço pro Centro de Estudos da Procuradoria Geral do Estado
Tratar pacientes condenados
Pesquisar aspectos da execução penal na psicologia do sentenciado
A importância dos exames
A forma como são feitos
A repercussão dos laudos criminais
A possibilidade de reinserção ou não do condenado na sociedade
Eu dava o diagnóstico de comportamento dos pacientes
Se a pessoa voltava a reincidir ou não, a decisão era do juiz.
A execução penal
Nesse contexto social construí minha carreira
Enxergava o Direito e a Psicologia de maneira complementar
Adalgamir Silvério Silva, um travesti, foi meu primeiro paciente do Centro de Estudos da PGE.
A transação penal: um ano de acompanhamento psiquiátrico, duas vezes por semana.
Motivo: uma briga num bar do Leblon.
Apresentou-se
Cytherea Horse
Disse ser chamado assim por causa do seu membro cavalar
Visualmente era uma mulher lindíssima
Na primeira sessão contou ser do GDEDDC
Entre outras barbaridades
Não foi isso que me consagrou
Eu atendia consultas particulares
Cobrava entre quinhentos e dois mil reais
Por sessão
Fred Arranho, o ator, foi meu paciente.
O típico garoto que deu certo
O Namoradinho do Brasil
Esse cara mudou minha vida
Deu-me repercussão
Por causa dele ganhei mídia
Outros pacientes ilustres vieram
Patrícia Paula Searom
Filha do célebre Rycalo Searom
O bilionário da soja
Uma patricinha com QI acima da média
Prostiputa ninfocacional
A Psicoputa
Uma deusa
Minha Belle de Jour
Perdi a cabeça por ela
Por pouco não caçaram meu registro
Conhecimento é tudo
Sabe o Alexandre Deusthruid, detentor do oligopólio das redes de comunicação?
Sim
O maior pastor do Brasil
Foi meu paciente
Na nossa primeira consulta entrou rindo
Proferiu-se o puto traficante da palavra de Deus
O Putrafica
Adorava contar estórias do seu mentor
Seu ídolo mor
O mercador de influências da década de 80
O dono de Ipanema
O homem de putas e pó
O Rei da Noite
Eu vendia caro meu tempo
Os ponteiros não paravam de rodar
Depois veio Fernando Geraldini
Gostava de festa
Mulheres
Drogas
Viagens
Era recorrente contar-me sobre o seu apelido
O Estressadinho do Puteiro
Seu discurso era a exposição do eu
Uma palestra em forma de tese
O uso da linearidade no fluxo inconsciente
Patologia extraordinária
A exposição libertária
Não obstante é o instante que estabelece
Outro bambambã nas minhas sessões foi Javier Bornovo Calie
Um diplomata de El Salvador
Discorria sobre embaixadores e violações constituídas
Merecia respeito por sua competência reflexiva
Seu idealismo e inteireza ao defender o não belo eram fascinantes
Justificava dizendo ser o escolhido
O Baranguerreiro Ideológico
Adorava falar das suas imunidades e seus privilégios
A inter-relação da civilização
A roda do infortúnio não cessava de girar
Não posso me esquecer da Jéssica Silva
Artesã no disfarce dos predicados de personalidade
Estuprada por três homens
Filha de pais evangélicos
Ponderava pouco nas sessões de terapia
Tinha fascinação por fogo
A Incineradora
Chamada assim por trabalhar cremando corpos
Traços típicos de uma personalidade sediciosa
Sem constrangimento ou vergonha eu tinha um projeto
Estava enumerando pacientes com patologias análogas
Pretendia juntá-los numa sessão grupal
Frente a frente discorrendo sobre morte, sexo e medo.
As ideias iriam aparecer sem conexões evidentes
Investigariam as sinuosidades das possibilidades não esgotadas
Familiarizando-se com os processos dos seus crimes
Suas emoções mais negativas
Uma mesa redonda debatendo fragmentos
Opiniões diversas sobre a consciência moral
Talvez eles pudessem iluminar-se
Transgressões antissociais vistas no outro tendem a ser claras
Pensei nisso como um filme de Ingmar Bergman
Um prato cheio para minhas análises
Minha dúvida era botar ou não como mediadora a gostosa e psicóloga Vera Lucia Atner
Sorte não a encontrar
À época ela estava na Europa
A Tesudinha do Toriba
Epíteto inesquecível e justificado
Mas como eu disse no inicio
O destino sentenciou-me
Fred Arranho cortou-me a garganta durante sua sessão de terapia
Ironias da vida
Nesse caso, da morte.
Estou no purgatório esperando minha sentença
Céu ou inferno?
Deus e o Diabo fizeram uma aposta
Quem vencer escolhe onde vou passar o infinito do nada
A decisão será baseada nos acontecimentos da terapia coletiva dos meus sete pacientes
Como eu havia dito
Sempre soube tudo sobre as minhas cobaias
A falta de consideração com os sentimentos dos outros
O desprezo pelas obrigações sociais
Gostava disso
Não via neles o ensaio Freudiano sobre o superego
Com certeza eles não cometiam crimes para serem punidos
Nenhum castigo mudaria a falta de empatia deles
Egocentristas exageradamente patológicos
Ausentes de sentimentos de remorso e dolo
Um universo rico de baixezas humanas
Conceitos legitimados pelos meus sociopatas de laboratório
Desculpem meus devaneios
Sei onde terminam
Vou contar sobre a aposta
Deus jogou suas fichas no arrependimento
O Diabo apostou no vermelho
Arrependimento versus Sangue
O Namoradinho do Brasil
A Cytherea Horse
O Baranguerreiro Ideológico
A Incineradora
O Estressadinho do Puteiro
A Psicoputa
O Putrafica
Dentes por dentes
O encontro patológico dos superegos
Na frente de cada um, duas opções:
Rosa ou pistola
Se a orgia psicótica acabar com pelo menos um arrependido oferecendo sua rosa para outro, Deus vence.
Se ninguém se arrepender, o Diabo vence.
Vai começar a festa
A relação espaço-tempo não é cronológica na sala de espera das almas
O futuro na Terra é o eterno espectro dos mortos em recuperação
Diferentes tempos
O profano divino
Já é
A terapia grupal está acontecendo
Sentados à mesa
Sem sair de suas cadeiras
Sete patologias diretas optam por pistolas e flertes
Não titubeiam
Simultaneamente pegam as pistolas, não todos.
O Namoradinho coloca a pistola na testa da Cytherea
A Cytherea enfia a pistola na orelha do Baranguerreiro
O Baranguerreiro bota a pistola na cara da Incineradora
A Incineradora encosta a pistola no pescoço do Estressadinho
O Estressadinho tara as tetas da Psicoputa
A Psicoputa passa a mão na perna do Putrafica
O Putrafica aponta a pistola pro Namoradinho
Meus hamsters não conversam
Cinco tiros certeiros disparados
Cinco corpos escorrendo vermelhos pelo chão
Restam dois
Ficam de pé
Olhos nos olhos
O Putrafica mete a pistola na boca da Psicoputa
Ela se submete
Chupa o cano da pistola do seu possível executor
Alisa o carrasco cacete ajoelhada sobre sangue
Em subservientes segundos libera-o pelo zíper
O Putrafica de pau duro gira a pistola nos lábios da Psicoputa punheteira
Lascivamente ela masturba o membro num misto de sangria e porra
O sêmen da vida voa liberto
A Psicoputa e o Putrafica sobreviveram
Não trocam uma palavra e vão embora
Agora é com Lúcifer
Sorte a minha
Eu sou ateu
Não ficaria bem ao lado de Deus
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam as almas que roubam pra si

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

BUCETALGAMER - eu te amo, amor.

Menores de dez anos não se misturam com meninas
Não sentem atração sexual
Meninos de oito anos odeiam o universo feminino
Antes da puberdade garotos não precisam delas
Pirralhos são a legitimação do “sem tesão não há relação”
É verdade!
Homem também não gosta de mulher
Homem gosta é de fuder
Sábias crianças intuitivas
Como disse o célebre nariz de platina:

- Se mulher não tivesse buceta, eu não dava nem bom dia!

Acontece que elas têm
E buceta é melhor que punheta
Da puberdade em diante precisamos delas
Aí começa a confusão da evolução humana
Pro resto da vida confundimos tesão com casamento
Negamos a Verdade em miseráveis relações
Tudo em nome da buceta
Então é bom dia
Boa tarde
Boa noite
Ai meu deus
Que merda
Puta que pariu
Aceito
Pronto, estamos casados com a buceta.
Mas a mulher vem junto
Fazer o quê
Separar a buceta da mulher
A mulher torna-se um utensílio doméstico
A buceta, um vídeo game last generation.
Sabendo jogar Bucetalgamer passamos de fase
Ganhamos boquetes extras e o superânus
O problema é zerarmos Bucetalgamer em menos de um ano
E quando percebemos nossa mulher na sala, game over!
Ação da progesterona
O linguajar feminino e suas confusões são beócios ululantes
Apesar de utilíssimas no Bucetalgamer, a boca e a língua são facas de dois gumes.
O instrumento do desentendimento feminino
Na ótica delas, a língua não cabe dentro boca e serve pra ganhar discussões.
Na nossa, pra ganhar porra, um papel bem mais nobre.
Mulheres não jogam Bucetalgamer
Bucetalgamer é o instrumento de negociação delas, o cacife.
Um pote repleto de fichas de mil dólares
Frias e calculistas
Elas blefam
Sobrinhas do John Wayne nos salões de beleza
Pistoleiras sem aptidão
Sempre pode piorar
Pensamento clássico feminil
O pior tipo de mulher não bebe
Restringem o convívio ao sofá
Sentadas vendo porcarias
Usando a boca e a língua de forma errônea
À deriva num oceano de detritos culturais
Novelas
Programas de fofocas
Programas de culinária
Programas de calouros
Depois não sambem por que falam merda
Nacos do nada flutuando sem destino
Tipos específicos têm inveja do pênis
As metidas a entender de futebol, com certeza.
No fundo elas querem ser homens
Nunca serão!
Mulheres são astronautas sociais
O lance delas é conquistar o espaço
Modinha escrota do politicamente correto
Não caio nessa
Falo na cara, doa a quem doer.
Mulheres são aglomerações de rabos respeitosos e almas nem tanto
De unhas pintadas e cabelos escovados elas falam
Quer que eu desenhe
Simples assim
Nunca jogaram cascudinho no recreio
Nem sabem o que é cascudinho
Mas tão lá enchendo a boca e ponderando sobre o impedimento
São um tremendo gol contra
Isso sim!
No meu receituário, eu prescreveria:
Mais louça, menos rua, e nada de controle remoto.
Tirem os controles delas
Do contrário
Vão botar na porra do GNT e você não vai fuder
Mulher é bom de pau duro, de pau mole eu passo.
Levá-las ao cinema é outra ideia equivocada
Vão querer ver alguma bosta sentimental
Ou um musical de saquinho de avião
Eu decidi!
Vou passar no mercado
Minha mulher vai preparar um rango
Eu vou cheirar e não vou comer
Nem a comida e nem ela
Vou matá-la
Eu te amo, amor.
Só de pau duro!

**********
Décimo andar da Galeria Menescal, Copacabana.
Sala 1008
Na porta a placa:
"Dr. Gustini Victor Strasser – Psicólogo"

Pablo Treuffar / Leandro Gama
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

A BOA MORTE - nossas mulheres e suas bundas maravilhosas

Deveria ser proibido mulher gostosa usar shortinho branco sem dar pros olhos tarados que as secam
Isso é um absurdo
Nossas mulheres e suas bundas maravilhosas têm de ser socialistas
Dar carne pra quem tem fome
De que adianta malhar duas horas por dia e não liberar a carninha rosada temperada no salgadinho suor
Capitalismo sexual só é bom nos puteiros
Na praia e nos bares queremos bundas comunistas
Sou bundocetólogo e sei o que estou falando
Pergunte ao pau
Ele vai bater continência
De pé e olhando pro céu
Positivo e operante
Esperando a hora de entrar rachando
Mas não
Bundas rebolando são dedos indicadores sinalizando negação
Na Ataulfo de Paiva, rabos abanam negação.
Na praia, bundas sorriem negação.
Gostosas desfilam rabetas insanas no ensaio metido do não
Por essas e outras me formei em pegação compulsória
Sou estuprador com mestrado e doutorado em coito anal
Exerço minha profissão
Também chambro na punheta
Masturbação é fazer amor com quem você gosta e sem autorização
Antes de me formar, a bronha era minha única opção.
Agora não!
Voltando as musas
Melhor que mulher de shortinho
Só mulher de shortinho branco jogando futevôlei
A cada recebida na coxa o biquíni vai enterrando no short
Esse é o objetivo das tesudas nas redes da orla
Deixar todos os homens na mão
Comigo não!
Mulher sem querer não deve evidenciar e sim esconder
Mulher que esconde não precisa sair de casa
Mulheres gostosas abusando dos shortinhos brancos merecem
O shortinho branco é um combo
Vem com calcinha marcando
Barangas têm de saber este item ser do vestuário feminino das graduadas
Mocréias não podem usar
Não trabalho com mulher feia
Fica determinado
Gostosa vestiu branco tem que dar
O punheteirólogo Woody Allen disse:

- Sexo bom é sexo imundo!

Concordo
O Sexo sujo é o mais elevado
Quase espiritual
Quando estou exercendo minha profissão
Cuspo
Xingo
Esporro na cara
Meto dedos
Dou tapas
Tapas são minha especialidade
Tapa na bunda revestida de branco estala alto
Deixá-las roxa é ter atitude
Não quer tomar porrada?
Não use branco!
Bundas gostosas de shortinhos são alvos gritando:

- Eu tô de shortinho branco, não tá vendo? Bate que eu gosto!

É uma voz sussurrando:

- Me come! Me fode! Estraga-me!

Putas vestem branco
Não é preto
Nem vermelho
O branco é o senhor do puteiro
Realça as coxas morenas de meninas marotas
Reluz o neon estroboscópico
O branco é a cor das putas
E das filhas das putas
Fodam-se os santos
O shortinho branco fala pela usuária
É uma promessa de sexo
Uma declaração de intenção
A maior ameaça aos sem tesão
Nenhuma mulher coloca um short branco impunemente
O branco refrigerador cromático das bucetas quentes e meladas clama por mim
Mulheres de branco são hordas suicidas sem direção
Mulheres de shortinhos são ruas sem saídas
Becos escuros
Um convite à penetração
Por mais que elas chorem e gritem dizendo que não
Com meu revólver eu não fico na mão

Pablo Treuffar / Leandro Gama
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

PSICOPUTA - porque tem coisas que não aprendemos na escola

Desde novinha só pensava em pica
Sempre fui bonita e gostosa
Nunca faltou nada
Meus pais são ricos
Fiz todas as viagens
Todos os cursos
Falo inglês, francês, alemão.
Autodidata em espanhol e italiano
Melhor aluna do balé
Toco piano e harpa
Campeã de esgrima na modalidade sabre
Aptidão nata pra aprender
Nunca fiz esforço
Formei-me pela UFRJ frequentando lavatórios
Mestrado e Doutorado
Sou engenheira química
Antes estudei no Santo Inácio
Foi lá que tudo começou
Com dezesseis anos já tinha chupado quase todos
Era eu a verdadeira putinha de banheiro
Nunca fui pega em flagrante
Não pelas candinhas religiosas
Boatos são só fofocas
Negávamos tudo
As freiras nunca tiveram certeza
Qualquer rumor era sem procedência
Os meninos eram cúmplices
Não se importavam com suspensões
Eles tinham muito a perder
Minha fama era o discurso abstrato da balela
Meus pais eram chamados pra conversar
As pedagogas com nada conseguiam corroborar
Para meus progenitores era cômodo não acreditar
Não tive problemas por conta do improvável
Minhas amigas, as idiotas da repetição de conceitos estabelecidos, diziam eu ser virgem.
Aquele papo de hímen sem pé nem cabeça
Não dar a buceta era minha perversão
Pra pessoas inteligentes eu posso dizer
Perdi a virgindade chupando dois alunos no banheiro
Aos quatorze
Nascia uma lenda
Adorava isso
Pau na buceta só aos dezessete
Hoje tenho trinta
Sustento meu vício
Meu teste vocacional deu pessoa amoral
Sou puta
Não sou garota de programa
Não sou acompanhante
Sou puta
A puta
Lembro de uma amiga falando da superclasse:

“Prostituição é profissão
Putaria é diversão
Puta é uma coisa
Prostituta é outra
Tudo é uma questão de atitude
A puta brinca
A prostituta não
A puta goza
A prostituta cobra
Mas existe a superclasse da fusão dos gêneros
As prostiputas
Essas trabalham por vocação”

Nunca esqueci tais palavras
Sou extraclasse
A prostiputa
Perpetro por gosto
Faço de tudo
Beijo na boca
Dou o cu
Bebo porra
Apanho
Sou submissa
Mulheres seguras são submissas
Só as inseguras são feministas
Sou uma devassa
Ironias da vida
Tenho hímen complacente
Eternamente “virgem”
Com vinte e quatro anos comecei a cobrar
Antes tinha uma profissão normal
Concursada da Petrobrás
Mauricinhos me comiam pouco
Prefiro desconhecidos
Um dia, num banheiro sujo de beira de estrada, um homem falou:

- Você gosta muito! Poucas pessoas ganham por prazer! Você merece receber!

Ele me deu uma nota de cem
Não foi o valor do dinheiro que me convenceu
Foi o símbolo
Cem Reais era muito dinheiro pra ele
Hoje cobro dois mil por três horas
Mas ainda dou de graça nos banheiros imundos dos homens fétidos
Gosto de esculacho
Nascida para fuder
Nem um homem pode resistir
Dias vãos
Noites vêm
Atualmente fetiches sussurram no meu ouvido
Fetiches macabros gritando todas as noites
Acordo assustada ouvindo:

- Broxar é inaceitável!

Coisas mudam quando demônios gritam
Contrariando os requisitos de segurança, recebo clientes na minha residência.
Existe um motivo
As vozes nos meus pesadelos
Tenho nojo de homem frouxo
Homem que não dá no couro é rato
E ratos têm de ser exterminados
Outro dia vi um cara comprando uma pá num sobradinho de Copacabronx
Podia pensar nele cuidando do jardim
Não
Pensei nele enterrando corpos
O sujeito olhou-me os olhos e saiu da loja
Tive certeza
Ele ia enterrar um corpo
Que mal há nisso
Existem muitos corpos que merecem ser enterrados
Cerrados e encerrados
Os errados excitam
O homem da pá
Tive um estalo
O insight da minha vida
A partir daí matei todos os broxas que não cruzaram os meus caminhos
E não é que tem broxa a rodo não fazendo o serviço!
Pior pra eles
Prefiro ser enterrada de piroca a ter de enterrar meninos flores
Pois é
Enterro mais meninos flores do que cuido do jardim
Moro numa casa imensa na Estrada do Joá
Terreno amplo
Muitas terras
Também comprei a pá
Eu não gosto de estatísticas negativas
Aí é sacanagem
Comigo é assim
Escreveu não leu, pau não comeu, morreu.
Vai pro buraco
Esse é o meu slogan
Pague para trepar e reze pra não broxar
Broxou é vala
Não sinto culpa
Meu analista já me diagnosticou
Dr. Gustini Victor Strasser
Ele sempre diz gozando em minha boca:

- Você não é puta. Você não é psicopata. Você é psicoputa.

E eu respondo de boca cheia:

- Porque tem coisas que não aprendemos na escola.

Dá mole pra mim

Pablo Treuffar
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

CADEIRA DE RODAS, MULETAS E FISIOTERAPIA. - a saga de uma reabilitação

Ao ficar um ano de cadeira de rodas
Me acalmei
Por saber que voltaria a andar
Relaxei
Sempre fui ansioso
Nesse ano sabático
Fui incentivado a não fazer nada
Ócio deliberado
Todos deveriam experimentar
Coisa fina
Calmaria
Entre muitos baseados e bebidas alcoólicas
O elixir da vida
Baixo Gávea e praia de Ipanema, às vezes Aristides Espínola.
Eu tinha o tempo a meu favor
Bagulhos
Chopes
Tecos
Ácidos
Ecstasys
Bucetas derivavam desse aglomerado de dias e noites em unidade
Deus salve a ilegalidade
Daime todo mau, amém!
A época da promiscuidade ilícita
Velei o sono de várias bundinhas cocainômanas
Mulheres estonteantes
Encantadoras
Eu as droguei
Abusei delas
Fui pau amigo
Em troca recebia bocas insanas
Burguesinhas vocacionais da fixação oral
Na minha condição de paraplégico provisório, mamadas eram volúpias de propriedade.
Mulheres se ajoelhavam diante da cadeira de rodas
Fetiches, são eles que nos diferenciam dos animais.
A melhor trepada da minha vida aconteceu no andamento das quatro rodas
Uma morena de alma apetitosa e corpo cavalar mandou um bilhete pedindo pra ver-me bater punheta
Durante o rito sexual, ela balbuciou palavras de não traição ao namorado.
Degustolhando-me o membro sacerdotal ela falava hipnotizada não estarmos fazendo nada
Um rostinho lindo a centímetros do meu pau confessando seus não pecados
Ejaculei litros de imoralidades qualificadas a décima potência na negação do outrem
O fescenino de minh'alma mandava as promiscuidades da pornografia
Lascividade inebriante
Sexo é isso
O corpo de uma mulher regido pela buceta da alma
Se sexo fosse penetração não existiria homossexualismo feminino
Eu penetrei almas pervertidas
Simples assim
Depois do primeiro ano na cadeira de rodas vieram as muletas
E com elas a fisioterapeuta
De segunda a sexta uma loura recém-formada levantava e abaixava minha perna aparafusada
Exercícios de rotina no seu consultório
Não era só minha perna que ela levantava
Com o tempo ela resolveu dar uma mãozinha
Sessões de fisioterapia peniana faziam parte da minha série de repetições
Seu namorado era ortopedista no mesmo prédio
O meu ortopedista
Foi ele que me indicou a punheterapeuta
Ela era da turma das que se formaram achando que negar a buceta no sentido pedagógico é não trair os seus
Definitivamente meu tipo de mulher
Eu legitimava tal pensamento não a beijando
Aprendi muito com as mulheres dessa turma
Beijar na boca e meter na buceta não pode: é traição.
E isso eu não faço
Eu tenho limites
Mas nem tudo eram férias sabáticas a gozar
Seu namorado e ilustríssimo ortopedista nos pegou no flagrante
Ele não apoiou a teoria da não traição
Tem horas que é melhor apanhar do que explicar
Apanhei
Tomei muita porrada
Bons tempos das trocas justas
Do toma lá da cá
Do aqui se faz aqui se paga
Onde eu dei a porra e recebi o equitativo troco
Hoje ando e corro de um lado pro outro sustentando o conceito de família
Sou a pessoa ao lado almoçando sem vocês perceberem
Normal como Norman Bates
Estou por um fio
Saudades da minha cadeira de rodas

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
CADEIRA DE RODAS, MULETAS E FISIOTERAPIA de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
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A VERDADE É QUE EU MINTO

A VERDADE É QUE EU MINTO

A PRIMEIRA ANÁLISE DE CYTHEREA HORSE

Sou uma sumidade na Prado Junior  
Il mio nome è Horse
Cytherea Horse
A traveca mais convocada de Copacabronx
Minha fama não vem do meu jeitinho angelical
Nem do meu rostinho de boneca de porcelana
Ou do meu corpo curvilíneo e tesudo de égua no cio
Menos ainda do meu boquete insano engolidor de cacetes 
Reservam-me a notoriedade dos portadores de pirocas descomunais 
Tenho uma pica invejada pelo jumento campeão pornô de zoofilia 
Entretanto, sou abundantemente mulher.
Uma das mais lindas
Gata com pedigree 
Arrumada, é impossível não verem-me como fêmea.
Montada pra noitada eu sou divina
No submundo equivalho à Afrodite
Dançando, paro qualquer casa noturna.
Perdi a conta de quantos clientes pagaram paixão
Uns surpreenderam-se com meu brinquedinho
Outros gostaram
Na adolescência, pra arrumar namorados, além de tomar hormônios, sumia com minha tromba amarrando-a com esparadrapo.
Enganar a todos era o meu objetivo
À época, tinha raiva do meu membro cavalar.
Achava-o causador de problemas
Tolinha eu
Hoje a maioria dos meus clientes são passivos
Gostam de ser enrabados
Os diferentes são desavisados
Pros negócios é bom ter pau grande
Dito isto
Outro dia, saí com um pela-saco.
Um ator Bobal
Fomos ao Jobi, um bar no Lebronx onde artistas adoram meter a nareba. 
Não deu outra
O manezinho azarador partiu pra dentro
Beijos apaixonados e tudo mais
Quando ele meteu a mão na minha buceta, bingo! Encontrou meu pau.
Ficou louco e me bateu
Coitado
Dei-lhe tanta porrada
Os garçons tiveram que segurar-me para não matá-lo
O atorzinho mequetrefe voltou pra casa ensanguentado
Um cara abordou-me
Fui tirar satisfações com ele
Gritei cuspindo de raiva:

- Qual é a tua, quer apanhar também, filho da puta?

Ele ficou quietinho
Não dei mole e meti o pé
Andei um pouco e fui beber no Diagonal
Um mauricinho chegou junto
Mandei-o à merda e fui pra casa
No dia seguinte, a campainha tocou.
Dei uma olhada no espelho antes de ir à porta
Senti-me acabada de ontem
Contudo estava gostosa 
Ouvi um barulho no corredor
Olhei pelo olho mágico
Vi o atorzinho mequetrefe caminhando
Ele parou na porta do meu apartamento
Tocou a campainha outra vez
Consegui ver o estrago na cara dele
Botei o trinco na porta e a abri 
Fiquei com meu rostinho bem próximo ao dele
Quase juntinha
Como boa putinha, perguntei o que queria.
Antes de ele responder
Ajeitei meus deliciosos peitos de muitos mil dólares
Enfiei a mão no original de fábrica, no maior do mundo, puxei o gigantesco pra fora e sacudi dizendo:

- É isso que você quer né, viadinho? Pode chupar! Eu sei que você gosta.

O sujeito ficou possesso 
Foi embora esbravejando me matar
Arrebitei meu rabão apetitoso e fechei a porta
Voltei pra cama e dormi
Não sei se por coincidência 
Ou por obra do destino 
No dia seguinte
Encontrei-o num posto na Bartolomeu Mitre
Saiu fora com o rabinho entre as pernas
Eu fiquei toda toda
No fundo sabia que ia dar merda
Ninguém gosta de ser humilhado
Com certeza o levei ao limite
Passou o final de semana
Terça-feira por volta das cinco horas
Minha porta foi arrombada 
Três homens encapuzados me dominaram
Amarram-me
Não conseguiram me bater 
Preferiram me foder
Estava eu ali
Linda
Tesuda
E indefesa
Aproveitei a perplexidade deles
Ofereci-me
Hesitação
Excitação
Fiz os três gozarem muito 
E fazendo, consegui a ficha completa do mequetrefe covarde.
Se ele achava que iam me arrebentar
Tadinho do borra-botas
Eu vou maltratar
Esse bundão não sabe quem eu sou
Sou traveco matador
Comecei a me prostituir em Milão
Antes de ir pra Itália, fazia parte do Grupo de Extermínio Duque de Caxias.
Eu sou Baixada
Lei da sobrevivência
Manuseio armas como ninguém
Sou filha de miliciano
Acerto tiro na testa de geral a quilômetros de distância
Eu sou sniper
Quando eu boto pra foder é pica das galáxias 
O manezinho não perde por esperar
Não vou sujar minhas mãos
Ligo pra rapaziada da GDEDDC, marco umas mamadas e passo o endereço.
É vala na certa
Minha duvida é 
Vou querer ver playboy virar menina?
Na mão de vagabundo garanhão vira filé
Ele vai saber por que tá morrendo
A vingança é o meu desequilíbrio progressivo
Há um ano, um cliente trouxe problemas.
Evaporou do mapa
Adivinha quem deu o sumiço 
Galera do GDEDDC, é lógico.
Fiquei com cãibra na boca
Valeu a pena
É nóis
Sentença final
Falei 

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Décimo andar da Galeria Menescal, Copacabana.
Sala 1008
A plaquinha:
“Dr. Gustini Victor Strasser – Psicólogo”

A transação penal foi sentenciada
Acompanhamento psiquiátrico duas vezes por semana
Assim foi a primeira sessão de terapia de Cytherea Horse

Pablo Treuffar
Licença Creative Commons
A PRIMEIRA ANÁLISE DE CYTHEREA HORSE de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at www.pablotreuffar.com
A VERDADE É QUE EU MINTO

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