CARIOQUISMO


Moro no Rio há trinta e dois anos
Trabalho no centro a sete
Acordo às oito e meia da manhã
Escovo os dentes
Arrumo-me
Bebo um copo de leite
Saio de casa
Pego um ônibus
Sigo por Ipanema
Nossa Senhora de Copacabana
Princesa Izabel
Rio Sul
Enseada de Botafogo
Finalmente
Nossa!
Que paisagem
O Pão de açúcar
Barquinhos no mar
O Céu azul
Gaivotas a voar
Inexpugnável imponente protuberância
Não há mulher no mundo com tamanha beleza
Sim
Comparo esse cenário às lindas mulheres nascidas e abençoadas por este cenário indiscutivelmente carioca
Bem dita humanidade nascida privilegiadamente sob o signo do carioquismo
Isso mesmo!
Carioquismo!
Este é o signo!
Nessa história
Assusta-me
O resto dos passageiros ignorando tamanha beleza
Preocupados com seus trabalhos
Suas famílias
Suas prestações
Estão loucos
Parando e observando o belo, todo o resto resolve-se.
Não
Olham-me um turista nunca tendo observado tamanha beleza
Como se para mim tudo fosse novidade
Estão certos
O belo é sempre novidade
Não sabem eles
Conheço essa vista há trinta e dois anos
POBRE HUMANIDADE CORROMPIDA
OBSERVAR O BELO DEBAIXO DOS SEUS PRÓPRIOS NARIZES
NÃO CONSEGUEM
Pablo Treuffar

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